Alguns alunos vêm me perguntando o que é o vibrato e como adquiri-lo. É importante que se entenda que cantar consciente e bem não é algo que se adquire de uma hora para outra. O treino constante é muito importante e se o aluno gosta de ler e pesquisar, certas leituras o ajudarão muito a compreender os locais exatos de produção e ressonância vocal. Assim, elaborei um pequeno texto logo a seguir sobre o vibrato. Espero que gostem!
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Com o avanço da tecnologia, o uso não só de registros acústicos, mas de sinais aerodinâmicos (fluxo aéreo e pressão sonora) e eletroglotográficos, tende-se a tornar-se um forte aliado à compreensão e evolução das técnicas de canto, como tem ocorrido na fonoaudiologia e na otorrinolaringologia. Estas especialidades médicas, aliás, têm tido crescente interesse no estudo da voz cantada visando o aprimoramento do tratamento de problemas vocais em cantores profissionais. Porém, a facilidade atual de acesso a equipamentos de gravação e a softwares para análise automática da voz (com resultados não necessariamente confiáveis) não deve ocultar a necessidade de conhecimentos sobre técnica vocal através de aulas de canto, os fenômenos básicos da acústica, as técnicas de gravação e os métodos de análise de sinais.
O vibrato é uma variação regular na freqüência de uma nota comum utilizado na música. Há uma ciência exata responsável pelo estudo da acústica da voz que pode medir várias características vocais, chamada Acústica Musical. O meio pelo qual se pode analisar a qualidade do vibrato é um software específico que possui escalas e/ou cursores com resolução adequada. Perceptivamente, sua qualidade depende de três parâmetros mensuráveis: a taxa, a profundidade e a regularidade. A taxa é o número de ciclos por segundo. A profundidade, amplitude ou extensão, é o desvio da freqüência em torno de seu valor médio, enquanto a regularidade carece de um parâmetro para medição, mas, desejavelmente, deve ter um aspecto senoidal. No bel canto, a taxa aceitável do vibrato varia de 5,5 Hz a 7,5 Hz e a profundidade vai de aproximadamente 1 a 2 semitons.
No canto, é possível produzir dois tipos de vibrato: o vibrato laríngeo que é aquele produzido modulando-se a tensão da musculatura laríngea responsável pela tensão e enrijecimento das pregas vocais (músculos cricotireóideos e tiroaritenóideos, respectivamente); e o vibrato produzido por variação da pressão pulmonar que revela um mecanismo de interdependência entre a amplitude e a freqüência. O vibrato laríngeo não é indicado porque exerce demasiada pressão nas pregas vocais e esta pressão poderá causar sérios riscos à saúde das mesmas e até perda da voz ao longo do tempo. Por isso, o vibrato produzido por variação da pressão pulmonar é o mais indicado e é o resultado da respiração correta (a respiração costo-diafragmática-abdominal, em que há a utilização dos músculos intercostais, do diafragma e dos músculos abdominais). A regularidade do vibrato é um aspecto que tem recebido atenção nos últimos anos, pois o vibrato bem realizado é responsável pelos harmônicos da voz cantada.
Como fazê-lo? Sempre através de aulas de canto o aluno irá praticar a respiração correta para o canto e desenvolver a técnica vocal adequada ao seu tipo de voz, com orientações de um profissional capacitado. Dessa forma, irá cantar consciente e caminhará para o canto profissional.
Referências Bibliográficas: http://gsd.ime.usp.br/acmus/publi/textos/05_vieira.pdf
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